http://www.chaves.com.br/TEXTSELF/EDTECH/tecned.htm
O uso que o professor vai eventualmente fazer do computador em sala de aula depende, em parte, de como ele entende esse processo de transformação da sociedade que vem acontecendo, em grande parte, em decorrência do desenvolvimento tecnológico, e de como ele se sente em relação a isso: se ele vê todo esse processo como algo benéfico, que pode ajudá-lo no seu trabalho, ou se ele se sente ameaçado e acuado por essas mudanças.
Por causa disso, vamos precisar discutir a informatização da sociedade e o papel da tecnologia no desenvolvimento humano — principalmente das tecnologias mais afetas à educação. Se não entendermos o que está se passando ao nosso redor, dificilmente conseguiremos integrar o computador com naturalidade e sem receios infundados à nossa prática pedagógica, formal ou não-formal.
Algo curioso ocorre quando a informática começa a entrar em alguma área específica (não só na educação): parece que ela atua como agente catalisador que provoca e desencadeia discussões muito sérias acerca dos fundamentos e conceitos básicos, bem como das práticas firmemente estabelecidas, nessa área. Não raro a introdução do computador em uma área, ou mesmo apenas a perspectiva de sua introdução, tem levado os que nela militam a concluir que seria oportuno revê-la e, quem sabe, reestruturá-la por completo.
O termo "reengenharia de processos" (Michael Hammer) foi cunhado porque, na área industrial, se percebeu que a mera introdução do computador para tornar mais eficientes, e, em muitos casos, totalmente automatizar, os processos usados, sem que esses processos fossem antes radicalmente revistos, do início ao fim, poderia levar ao que ele caracteriza como "asfaltar uma trilha de bois" , ou ao que Seymour Papert descreveu como "colocar motor de avião a jato em charrete — para ver se ajuda os cavalos a andar mais depressa" .
Na área de escritórios, há muito que se percebeu que não se trata de meramente "automatizar" rotinas já estabelecidas, mas, sim, com a ajuda da nova tecnologia (computadores, redes, etc.), de reinventar a forma de fazer as coisas, de criar novos fluxos de trabalho, freqüentemente baseados em equipes mediadas pela tecnologia, de permitir, sempre que possível, o teletrabalho, o gerenciamento à distância, etc.
A área da educação não é exceção. Devemos analisar por que quando se começa a discutir o uso da informática em sala de aula, acaba-se por discutir as questões mais fundamentais da educação, inclusive o próprio conceito de educação: Qual é a função da educação? Qual é o papel dos conteúdos, dos currículos, do ensino, enfim, da escola e do professor no processo educacional? O que dizer da definição de Émile Durkheim, segundo o qual a educação é o processo de transmissão de crenças, valores, atitudes e hábitos, conduzido pelas gerações mais velhas, com o objetivo de tornar as gerações mais novas aptas para o convívio social? O que dizer, por outro lado, da tese de Jean-Jacques Rousseau de que educar é não interferir, é deixar a criança desabrochar, natural e espontaneamente, assim concretizando as suas potencialidades? E o que dizer, por fim, da tese de Sócrates de que a função do professor, semelhantemente à da parteira (que facilita, mas não dá à luz a criança), deve ser facilitar a aprendizagem, mas não ensinar? É realista esperar que a criança construa todo o seu conhecimento por si só, aprenda tudo o que tem que aprender por descoberta, sem que haja ensino ou instrução? É lícito esperar, como disse Karl Popper, que, se toda criança tiver que começar onde Adão começou, ela dificilmente chegará muito além de onde Adão chegou?
Por isto, não podemos deixar de explorar essas questões: elas estarão na base de tudo o que eventualmente venha a se propor, de cunho mais prático, como forma de usar a tecnologia na educação, em geral, e na escola, em particular. Assim, antes de investigar (por exemplo) o potencial do computador em sala de aula, essas — e algumas outras — questões serão discutidas.
Finalmente discutiremos alternativas para o uso do computador na escola -- mais precisamente, na sala de aula.
Esta disciplina está voltada principalmente para o educador e, de forma especial, para o professor. Ela foi concebida para ajudar o professor ainda não familiarizado com o computador a entender como esse equipamento pode ser usado como tecnologia educacional (dentro ou fora da escola) e a vislumbrar como ele, professor, pode vir a usar o computador em suas atividades (agora em sala de aula). Mas nem a escola nem ele nunca mais serão os mesmos -- isto é preciso que ele entenda com toda a clareza.
Da mesma forma que não adianta, no momento, apenas treinar o professor para que aprenda a usar softwares aplicativos genéricos (processadores de texto, planilhas eletrônicas, gerenciadores de apresentação, gerenciadores de bancos de dados, etc.), sem discutir com ele, previamente, e com toda a seriedade, essas questões básicas de filosofia da educação, também não adianta apenas apresentar ao professor, em todo detalhe, as teses ditas construtivistas de Jean Piaget, Lev Vygotsky, Aleksandr Luria, e, ultimamente, até Paulo Freire, sem deixar bastante claro qual a relevância que essas questões teóricas têm para com as questões práticas relacionadas ao que fazer com o computador em sala de aula e sem orientar o professor sobre o que fazer na prática, em sala de aula, com o computador e os conteúdos curriculares que lhe cabe cobrir e cumprir. Não é concebível que alguém teorize sobre o computador e o seu impacto sobre a construção do conhecimento, etc. sem ter a menor intimidade com a tecnologia. O espetáculo seria risível, não fosse triste, mas existe.
Eduardo Chaves, em, http://www.chaves.com.br/TEXTSELF/EDTECH/tecned.htm
Escrito por johannes às 16h42
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http://www.chaves.com.br/TEXTSELF/EDTECH/tecned.htm
Autor: Eduardo Chaves
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Quando: 05/01/2003
"No âmbito da educação não-formal (aqui definida, inicialmente, como aquela que acontece fora de ambientes escolares, seja através dos meios de comunicação de massa, seja de forma mais difusa no mundo do trabalho, no lazer, no lar, nas associações de cunho religioso ou comunitário) a tecnologia tem entrado sem maiores resistências -- pelo contrário, tem sido buscada -- e está promovendo grandes modificações. A nossa sociedade é descrita hoje como sociedade da informação -- e isso porque a informação permeia, hoje, todas as atividades e instituições.
No âmbito da educação formal, escolar, entretanto, o cenário é bem diferente. A escola talvez seja a única instituição ainda a fazer um certo tipo de resistência tácita à tecnologia. Por isso, o objetivo geral do seminário pode ser descrito também como uma tentativa de responder à pergunta implícita no título da disciplina: a escola, como a conhecemos hoje, tem futuro na sociedade da informação, permeada que é pela tecnologia?
Falar em tecnologia, hoje, neste contexto, é falar em especial nas tecnologias de informática, centradas no computador. O principal produto dessas tecnologias é a informação. É por causa desse complexo de tecnologias nossa era foi batizada de "era da informação" e nossa sociedade de "sociedade da informação". Nunca se teve tanta informação e nunca foi tão fácil localizá-la e aceder a ela.
Mas a informática hoje abrange as telecomunicações e, especialmente depois da popularização da Internet, o computador se tornou mais do que um processador de informações: tornou-se um transportador de informações e, mais importante, um meio de comunicação entre as pessoas — segundo tudo indica, o meio de comunicação, por excelência.
Não resta dúvida de que essa tecnologia afetará profundamente a educação — como a tecnologia da fala, dezenas ou mesmo centenas de milênios atrás, a tecnologia da escrita, alguns poucos milênios atrás, e a tecnologia da impressão, séculos atrás, também o fizeram anteriormente.
Quanto à escola, como hoje a conhecemos, a grande questão é se ela sobreviverá ao desafio que lhe coloca essa tecnologia. A escola de hoje é fruto da era industrial. Foi criada para preparar as pessoas para viver e trabalhar na sociedade que agora está sendo substituída pela sociedade da informação, por uma sociedade em que o fluxo de informações, o relacionamento entre as pessoas, o comércio, os serviços, o lazer e o turismo terão muito mais importância do que a produção de bens materiais (de que se encarregarão, em grande parte, os sistemas automatizados e os robôs). Uma sociedade deste tipo exige indivíduos, profissionais e cidadãos, de um tipo muito diferente daqueles que eram necessários na era industrial. É de esperar que a escola, criada e organizada para servir a era anterior, tenha que "se reinventar", se desejar sobreviver, como instituição educacional, no próximo milênio.
Mesmo que a escola, como hoje existe, use computadores e tenha acesso à Internet, esse uso, para parafrasear Alvin Toffler, apenas ilustrará como tecnologia da terceira onda pode ser aplicada dentro de instituições da segunda, sem alterá-las profundamente. Esse uso será semelhante a filmar uma peça de teatro para passá-la na televisão. A tecnologia, até mesmo a mais avançada, estará sendo usada. Mas o impacto nem se compara ao de um programa feito especialmente pela televisão, que faz uso de todos os recursos do meio."
Categoria: Citação
Escrito por johannes às 22h22
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Bonitinho, não? Demorei uns 15 minutos para criar este Blog incluindo o cadastro no UOL. As cores (para combinar com as adotadas pelo Kepler) e o modelo foram escolhidos entre uns 20 disponíveis. Vamos fazer dele um Blog Comunitário, mas para isto precisamos de cadastrar os professores interessados. Aqueles que tiverem telefone celular da CTBC podem postar (inserir texto) no Blog a partir de uma mensagem SMS (torpedo) enviado do celular. Moderno, né? Vamos conhecendo.
Escrito por johannes às 23h38
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Benvindo ao Colégio Kepler - Uberlândia - Minas Gerais - Brasil

Escrito por johannes.kepler às 23h17
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